O ano de 2011 não foi um dos mais produtivos para mim em termos de leitura. Mudança de trabalho, muitas viagens ... tudo isso contribuiu de alguma forma para diminuir a minha média anual, que particularmente acho aquém do que seria o indicado. Segue abaixo a lista das obras lidas no último ano:
1) Uma breve história do século XX
2) Os segredos da ficção
3) Contos húngaros
4) Madame Bovary
5) Então você quer ser escritor?
6) Boa ventura
7) Cafajeste, substantivo feminino
8) Shopping Centers
9) Escolher ou ser escolhido
10) Orgulho e preconceito
11) O discurso do rei
Destes, o melhor sem nenhuma dúvida é "Orgulho e preconceito", com louváveis menções à "Madame Bovary" e "Boa ventura".
Pessoa iLtda.
Blog sobre liderança, gestão de pessoas, literatura, contos e afins.
Sexta-feira, Janeiro 20, 2012
Terça-feira, Janeiro 03, 2012
[Livro] Você é do tamanho dos seus sonhos, de César Souza
Definitivamente não posso ser considerado um dos maiores apreciadores do gênero autoajuda. Acredito que nesta área existe uma quantidade muito maior de livros ruins do que em outras. Muito deles não são só ruins mas também enganosos. Mas, é claro, não podemos generalizar. Existem bons e honestos autores de autoajuda que devem ser respeitados, à despeito de eu gostar ou não de seus livros.
Por qual motivo então eu li "Você é do tamanho dos seus sonhos"? Simplesmente porque o ganhei de presente de pessoas que tenho bastante admiração e em um momento de grande mudança profissional. Precisava convencer a mim mesmo de que havia tomado a decisão certa. Não haveria momento mais adequado para um livro de autoajuda.
O livro é de leitura rápida e fácil. Cheio de exemplos e estórias, facilita bastante a fluidez e não cansa o leitor. O currículo do autor Cesar Souza, que por muitos anos trabalhou na Odebrecht, colabora para dar credibilidade ao que fala, ao contrário de outros autores de autoajuda que a única coisa que fizeram na vida foi escrever livros e dar palestras.
Acredito que o objetivo principal do livro seja o de estimular os leitores a identificarem e acreditarem em seus sonhos, sejam eles pessoais ou profissionais. O autor até que consegue em alguns trechos, mas o livro em alguns momentos soa superficial demais.
Em minha opinião, o pior problema de livros como esses é o de tentar fazer o leitor acreditar que basta força de vontade para conseguir as coisas. É claro que esse é o primeiro passo, mas tem muito mais coisa envolvida. Ao citar e enfatizar apenas histórias de sucesso, livros como este, de certa forma, escondem que para cada sucesso pode ter havido inúmeros fracassos. É bonito analisar, depois de saber que deu certo, casos em que determinada pessoa arriscou tudo, vendeu tudo para apostar no seu sonho. Poucos falam que, ao arriscar tudo por um sonho, muitos acabaram colocando a si mesmos e a família em situação extremamente difícil.
Recomendo a leitura para quem gosta do assunto, mas é necessária uma leitura crítica, com os pés no chão, como diz o próprio autor em algumas passagens.
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Publicação em coletânea de contos
Como muitos já sabem, além de ler gosto também de escrever. É óbvio que trata-se de uma atividade amadora, sem muitas aspirações. Fiquei muito satisfeito quando em agosto de 2010 tive um dos meus contos aprovados para ser publicado em uma coletânea .
Acabei divulgando a notícia entre amigos, publicando no blog, Twitter, etc. Era natural que as coisas demorassem a acontecer, afinal havia vários autores envolvidos e existe uma burocracia imensa para conseguir publicar um livro. Mas ... algum dia iria sair o livro. Ou não ?
A verdade é que um ano e meio depois nada de livro, e nada de nada. Tentei buscar informações no blog Na Ponta dos Lápis que promoveu o concurso. Sem sucesso. Consegui contactar, através do Twitter, Leonardo Schabbach, responsável pelo blog e pela promoção. Para minha surpresa, me relatou que não consegue há muito tempo contato com a editora que ficara responsável pela publicação. Existe contrato assinado, inclusive com os autores.
Fica difícil saber exatamente o que aconteceu. De qualquer maneira, vejo a situação toda como uma falta de respeito àqueles que confiaram no blog e na editora. É decepcionante. No mínimo, deveria haver maior preocupação em comunicar o que aconteceu e o que está acontecendo. Estou postando isso para, além de expressar minha indignação, dar uma satisfação aos amigos que compartilharam comigo a felicidadade de uma primeira publicação.
Acabei divulgando a notícia entre amigos, publicando no blog, Twitter, etc. Era natural que as coisas demorassem a acontecer, afinal havia vários autores envolvidos e existe uma burocracia imensa para conseguir publicar um livro. Mas ... algum dia iria sair o livro. Ou não ?
A verdade é que um ano e meio depois nada de livro, e nada de nada. Tentei buscar informações no blog Na Ponta dos Lápis que promoveu o concurso. Sem sucesso. Consegui contactar, através do Twitter, Leonardo Schabbach, responsável pelo blog e pela promoção. Para minha surpresa, me relatou que não consegue há muito tempo contato com a editora que ficara responsável pela publicação. Existe contrato assinado, inclusive com os autores.
Fica difícil saber exatamente o que aconteceu. De qualquer maneira, vejo a situação toda como uma falta de respeito àqueles que confiaram no blog e na editora. É decepcionante. No mínimo, deveria haver maior preocupação em comunicar o que aconteceu e o que está acontecendo. Estou postando isso para, além de expressar minha indignação, dar uma satisfação aos amigos que compartilharam comigo a felicidadade de uma primeira publicação.
Quarta-feira, Dezembro 07, 2011
[Livro] O discurso do Rei, de Mark Logue e Peter Conradi
Tive o cuidado de ler o livro antes de ver o filme. Em obras como esta, para se ter uma análise isenta, creio que seja bom ter esse cuidado.
A verdade é que "O discurso do rei" é uma obra que se mostra despretensiosa. Em termos de literatura, não acrescenta nada, e nem acho que a intenção tenha sido essa. Sem dúvida alguma, podemos considerá-lo como um livro "oportunista", buscando lucros através da evidência que o filme deu ao assunto.
Em resumo, o livro trata das dificuldades de fala, principalmente a gagueira, do futuro rei britânico Gerge VI. Considerando que, em especial após ser alçado ao trono, um de seus principais papéis era fazer discursos e pronunciamentos, teve a ajuda de um terapeuta da fala que acabou virando seu amigo particular.
Mas, independente da questão da qualidade literária e dos fins comerciais, sua leitura é agradável e bastante simples. Para leitores que apreciam fatos e personagens históricos, acaba sendo bastante interessante. Algumas passagens sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, são bastante curiosas e originais mesmo para alguém que, como eu, já leu bastante sobre o tema.
É um livro curto, leitura leve e, como já comentado, sem muitas pretensões. Para quem gosta do assunto, acaba sendo um programa divertido.
A verdade é que "O discurso do rei" é uma obra que se mostra despretensiosa. Em termos de literatura, não acrescenta nada, e nem acho que a intenção tenha sido essa. Sem dúvida alguma, podemos considerá-lo como um livro "oportunista", buscando lucros através da evidência que o filme deu ao assunto.
Em resumo, o livro trata das dificuldades de fala, principalmente a gagueira, do futuro rei britânico Gerge VI. Considerando que, em especial após ser alçado ao trono, um de seus principais papéis era fazer discursos e pronunciamentos, teve a ajuda de um terapeuta da fala que acabou virando seu amigo particular.
Mas, independente da questão da qualidade literária e dos fins comerciais, sua leitura é agradável e bastante simples. Para leitores que apreciam fatos e personagens históricos, acaba sendo bastante interessante. Algumas passagens sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, são bastante curiosas e originais mesmo para alguém que, como eu, já leu bastante sobre o tema.
É um livro curto, leitura leve e, como já comentado, sem muitas pretensões. Para quem gosta do assunto, acaba sendo um programa divertido.
Quarta-feira, Novembro 16, 2011
Esforço extra
Um dos principais desafios enfrentados no gerenciamento de equipes de TI é o cumprimento dos prazos acordados com os clientes (sejam eles internos ou externos), especialmente quando metodologias ágeis são utilizadas, com entregas em curtos períodos de tempo. Qualquer situação atípica ou inesperada pode colocar tudo a perder.
Os desenvolvedores, como qualquer ser humano (apesar de alguns não parecerem ser), estão sujeitos a ficarem doentes, terem problemas pessoais ou não renderem adequadamente. Indefinições ou mudanças de requisitos, apesar de totalmente indesejáveis, podem surgir durante o processo de desenvolvimento. Isso sem contar as dificuldades técnicas não esperadas, fazendo com que uma atividade que deveria consumir um dia se estenda por três ou quatro.
Diante de um cenário tão caótico, não é incomum estarmos há alguns dias de realizar a entrega ao cliente e a situação se mostrar um tanto quanto preocupante. Nesses momentos, é importante tomar decisões. É possível negociar com o cliente a data de entrega? Em alguns casos sim. Na grande maioria deles, é inviável ou muito desgastante. Surge então o grande vilão das equipes de desenvolvimento: o famigerado "esforço extra".
Atualmente, grande parte dos profissionais de TI trabalham no esquema conhecido como "PJ", ou seja, não são funcionários da empresa. Como quase tudo nessa vida, há vantagens e desvantagens para ambos os lados. O profissional, nesta situação, emite uma nota fiscal à empresa cobrando pelas horas que ele trabalhou em um determinado período. No caso do "esforço extra", poderia até ser vantagem para o profissional trabalhar mais horas, porque ganharia mais. Mas nem sempre a situação é tão simples.
A empresa, que recebe de seu cliente para realizar um determinado trabalho não pode simplesmente começar a pagar mais para seus desenvolvedores, sob pena de reduzir sua margem de lucro. O cliente, naturalmente, também não vai querer pagar a diferença. O desenvolvedor, que em alguns casos pode até parecer mas não é bobo, dificilmente irá querer trabalhar de graça. A situação para os profissionais que trabalham sob o regime da CLT varia um pouco, mas acabam tendo situações semelhantes. Como viabilizar então o "esforço extra"?
Existem duas formas conduzir essa negociação. A primeira e mais simples, consiste em reunir a equipe e esbravejar: "É o seguinte: temos que entregar isso na próxima segunda-feira, sem falta. Não há negociação possível com o cliente. Resolvam. Vocês devem se virar para fazer as coisas acontecerem. Ah, um detalhe: não tenho como autorizar horas extras porque o contrato não permite." Essa abordagem funciona? Algumas vezes sim. Alguns desenvolvedores ficarão com receio de serem demitidos ou mau vistos pela empresa e realizarão o trabalho necessário.
Uma segunda forma de resolver essa difícil equação é o gerente primeiramente reconhecer que a situação não foi gerada exclusivamente por culpa da equipe. Fatores externos podem ter influenciado decisivamente. Deve então reunir a equipe, expor a situação e quais os impactos ruins que a não entrega poderia causar para a empresa, para o projeto e para eles próprios. Deve deixar claro que somente eles podem mudar a situação, dando ênfase à importância que cada um tem na finalização do trabalho. Deve também ser sincero o suficiente para declarar que talvez as horas adicionais não serão pagas, mas que poderá haver compensação delas em folgas. Tudo isso sem qualquer tom ameaçador ou de tragédia.
Como eu comentei anteriormente, a primeira abordagem pode e deve funcionar em várias situações. Deverá funcionar, entretanto, somente nas primeiras vezes que acontecer. Chegará um momento em que os desenvolvedores, os melhores principalmente, começarão a procurar outra empresa para trabalhar. Utilizando a segunda forma, por outro lado, o gerente e a própria empresa reconhecerá de forma sincera as causas do problema, será claro ao posicionar sobre a importância de realizar a entrega na data acordada e manterá uma postura positiva e de apoio aos desenvolvedores. Deve também propor a discussão posterior das causas, de forma a buscar maneiras de evitar a sobrecarga de trabalho. Se a equipe é realmente profissional e comprometida, a chance de realizarem o esforço adicional é grande.
Existe infelizmente, principalmente na área de TI, uma cultura de ver de forma muito natural cargas horárias muito acima do considerado ideal, trabalhos de madrugada e finais de semana. Obviamente que algumas situações exigem e o profissional deve estar consciente disso. Mas, na minha opinião, situações como essa devem ser a exceção e não a regra. É muito importante aprender com os erros e realizar de forma efetiva alterações para que situações de estresse não se repitam continuamente.
Os desenvolvedores, como qualquer ser humano (apesar de alguns não parecerem ser), estão sujeitos a ficarem doentes, terem problemas pessoais ou não renderem adequadamente. Indefinições ou mudanças de requisitos, apesar de totalmente indesejáveis, podem surgir durante o processo de desenvolvimento. Isso sem contar as dificuldades técnicas não esperadas, fazendo com que uma atividade que deveria consumir um dia se estenda por três ou quatro.
Diante de um cenário tão caótico, não é incomum estarmos há alguns dias de realizar a entrega ao cliente e a situação se mostrar um tanto quanto preocupante. Nesses momentos, é importante tomar decisões. É possível negociar com o cliente a data de entrega? Em alguns casos sim. Na grande maioria deles, é inviável ou muito desgastante. Surge então o grande vilão das equipes de desenvolvimento: o famigerado "esforço extra".
Atualmente, grande parte dos profissionais de TI trabalham no esquema conhecido como "PJ", ou seja, não são funcionários da empresa. Como quase tudo nessa vida, há vantagens e desvantagens para ambos os lados. O profissional, nesta situação, emite uma nota fiscal à empresa cobrando pelas horas que ele trabalhou em um determinado período. No caso do "esforço extra", poderia até ser vantagem para o profissional trabalhar mais horas, porque ganharia mais. Mas nem sempre a situação é tão simples.
A empresa, que recebe de seu cliente para realizar um determinado trabalho não pode simplesmente começar a pagar mais para seus desenvolvedores, sob pena de reduzir sua margem de lucro. O cliente, naturalmente, também não vai querer pagar a diferença. O desenvolvedor, que em alguns casos pode até parecer mas não é bobo, dificilmente irá querer trabalhar de graça. A situação para os profissionais que trabalham sob o regime da CLT varia um pouco, mas acabam tendo situações semelhantes. Como viabilizar então o "esforço extra"?
Existem duas formas conduzir essa negociação. A primeira e mais simples, consiste em reunir a equipe e esbravejar: "É o seguinte: temos que entregar isso na próxima segunda-feira, sem falta. Não há negociação possível com o cliente. Resolvam. Vocês devem se virar para fazer as coisas acontecerem. Ah, um detalhe: não tenho como autorizar horas extras porque o contrato não permite." Essa abordagem funciona? Algumas vezes sim. Alguns desenvolvedores ficarão com receio de serem demitidos ou mau vistos pela empresa e realizarão o trabalho necessário.
Uma segunda forma de resolver essa difícil equação é o gerente primeiramente reconhecer que a situação não foi gerada exclusivamente por culpa da equipe. Fatores externos podem ter influenciado decisivamente. Deve então reunir a equipe, expor a situação e quais os impactos ruins que a não entrega poderia causar para a empresa, para o projeto e para eles próprios. Deve deixar claro que somente eles podem mudar a situação, dando ênfase à importância que cada um tem na finalização do trabalho. Deve também ser sincero o suficiente para declarar que talvez as horas adicionais não serão pagas, mas que poderá haver compensação delas em folgas. Tudo isso sem qualquer tom ameaçador ou de tragédia.
Como eu comentei anteriormente, a primeira abordagem pode e deve funcionar em várias situações. Deverá funcionar, entretanto, somente nas primeiras vezes que acontecer. Chegará um momento em que os desenvolvedores, os melhores principalmente, começarão a procurar outra empresa para trabalhar. Utilizando a segunda forma, por outro lado, o gerente e a própria empresa reconhecerá de forma sincera as causas do problema, será claro ao posicionar sobre a importância de realizar a entrega na data acordada e manterá uma postura positiva e de apoio aos desenvolvedores. Deve também propor a discussão posterior das causas, de forma a buscar maneiras de evitar a sobrecarga de trabalho. Se a equipe é realmente profissional e comprometida, a chance de realizarem o esforço adicional é grande.
Existe infelizmente, principalmente na área de TI, uma cultura de ver de forma muito natural cargas horárias muito acima do considerado ideal, trabalhos de madrugada e finais de semana. Obviamente que algumas situações exigem e o profissional deve estar consciente disso. Mas, na minha opinião, situações como essa devem ser a exceção e não a regra. É muito importante aprender com os erros e realizar de forma efetiva alterações para que situações de estresse não se repitam continuamente.
Quarta-feira, Agosto 17, 2011
Forme um sucessor ... e um sucessor para seu sucessor.
Vamos imaginar dois cenários:
A) Um gerente tirou 7 dias de férias e durante esse período foi contactado pelo celular inúmeras vezes para resolver problemas e dar direcionamentos à equipe que ficou na empresa. Alguns meses depois, recebeu uma excelente proposta profissional e decidiu trocar de emprego. A empresa sabia que não podia perdê-lo, fez contrapropostas e dificultou a sua demissão. Nas semanas seguintes à sua saída a empresa quase parou, precisou retornar à noite e nos finais de semana até que os remanescentes conseguissem "tocar o barco" sozinhos.
B) Um gerente tirou 20 dias de férias e durante esse período precisou responder dois emails com algumas dúvidas da equipe que ficou na empresa. Alguns meses depois, recebeu uma excelente proposta profissional e decidiu trocar de emprego. A empresa entendeu suas novas aspirações e não criou empecilhos. Nas semanas seguintes à sua saída a empresa continuou suas atividades normalmente. A equipe remanescente conseguiu, mesmo que com alguma dificuldade inicial, "tocar o barco" sozinha.
Baseado apenas no texto acima, qual dos dois gerentes você afirmaria que é melhor profissional, que agregou mais valor à empresa que trabalhou? Aquele que pouco se precisou dele durante as férias e após a sua saída ou o outro do qual a empresa precisou a todo o momento?
Muitos poderiam afirmar que o melhor profissional é o gerente do cenário A. É visível a sua importância para a empresa, para o negócio como um todo. Isso mostra o seu conhecimento dos processos, a confiança que a diretoria tem nele e também a dependência criada por sua equipe. Já o outro ... ninguém precisou dele durante sua ausência. Seria totalmente dispensável para a empresa, facilmente substituído por outro. Teria contribuído pouco com o seu trabalho.
Eu afirmo, com toda a convicção, o contrário. Soube delegar. Dividiu as informações com sua equipe e com seus colegas de trabalho. Tornou o processo e a empresa independentes de sua pessoa, de sua presença. Colaborou com seu trabalho, sua experiência, seu conhecimento e, quando achou que deveria seguir novos caminhos, recebeu a gratidão de seus superiores, conscientes de que merecia buscar algo ainda melhor para sua carreira.
Muitos podem pensar que o profissionais do tipo B, por mais competentes que possam ser, correm mais risco de serem demitidos. Isso é uma verdade relativa. Caso o tipo B trabalhe em uma empresa que saiba reconhecer suas qualidades, que não queira ficar refém de uma determinada pessoa, o risco de ser demitido é baixíssimo. Será extremamente valorizado. Por outro lado, se trabalhar em um local que valoriza somente resultados de curto prazo, que acham que os funcionários que pedem demissão são "traíras", que nunca encontrarão outro lugar melhor, realmente correrá um grande risco de ser demitido. Sorte dele!
O recado é que bons profissionais não devem ter medo de se tornarem dispensáveis. Antes que isso aconteça aparecerá coisa melhor. Além disso, é de suma importância formar um sucessor. Aquele braço direito, que poderá substitui-lo quando sair da empresa, quando ficar doente ou até mesmo para poder gozar de umas merecidas férias. Forme também um sucessor para seu sucessor. A empresa lhe ficará grata por muito tempo.
A) Um gerente tirou 7 dias de férias e durante esse período foi contactado pelo celular inúmeras vezes para resolver problemas e dar direcionamentos à equipe que ficou na empresa. Alguns meses depois, recebeu uma excelente proposta profissional e decidiu trocar de emprego. A empresa sabia que não podia perdê-lo, fez contrapropostas e dificultou a sua demissão. Nas semanas seguintes à sua saída a empresa quase parou, precisou retornar à noite e nos finais de semana até que os remanescentes conseguissem "tocar o barco" sozinhos.
B) Um gerente tirou 20 dias de férias e durante esse período precisou responder dois emails com algumas dúvidas da equipe que ficou na empresa. Alguns meses depois, recebeu uma excelente proposta profissional e decidiu trocar de emprego. A empresa entendeu suas novas aspirações e não criou empecilhos. Nas semanas seguintes à sua saída a empresa continuou suas atividades normalmente. A equipe remanescente conseguiu, mesmo que com alguma dificuldade inicial, "tocar o barco" sozinha.
Baseado apenas no texto acima, qual dos dois gerentes você afirmaria que é melhor profissional, que agregou mais valor à empresa que trabalhou? Aquele que pouco se precisou dele durante as férias e após a sua saída ou o outro do qual a empresa precisou a todo o momento?
Muitos poderiam afirmar que o melhor profissional é o gerente do cenário A. É visível a sua importância para a empresa, para o negócio como um todo. Isso mostra o seu conhecimento dos processos, a confiança que a diretoria tem nele e também a dependência criada por sua equipe. Já o outro ... ninguém precisou dele durante sua ausência. Seria totalmente dispensável para a empresa, facilmente substituído por outro. Teria contribuído pouco com o seu trabalho.
Eu afirmo, com toda a convicção, o contrário. Soube delegar. Dividiu as informações com sua equipe e com seus colegas de trabalho. Tornou o processo e a empresa independentes de sua pessoa, de sua presença. Colaborou com seu trabalho, sua experiência, seu conhecimento e, quando achou que deveria seguir novos caminhos, recebeu a gratidão de seus superiores, conscientes de que merecia buscar algo ainda melhor para sua carreira.
Muitos podem pensar que o profissionais do tipo B, por mais competentes que possam ser, correm mais risco de serem demitidos. Isso é uma verdade relativa. Caso o tipo B trabalhe em uma empresa que saiba reconhecer suas qualidades, que não queira ficar refém de uma determinada pessoa, o risco de ser demitido é baixíssimo. Será extremamente valorizado. Por outro lado, se trabalhar em um local que valoriza somente resultados de curto prazo, que acham que os funcionários que pedem demissão são "traíras", que nunca encontrarão outro lugar melhor, realmente correrá um grande risco de ser demitido. Sorte dele!
O recado é que bons profissionais não devem ter medo de se tornarem dispensáveis. Antes que isso aconteça aparecerá coisa melhor. Além disso, é de suma importância formar um sucessor. Aquele braço direito, que poderá substitui-lo quando sair da empresa, quando ficar doente ou até mesmo para poder gozar de umas merecidas férias. Forme também um sucessor para seu sucessor. A empresa lhe ficará grata por muito tempo.
Segunda-feira, Agosto 08, 2011
Você é insubstituível, seu trabalho não!
Quantas vezes você já ouviu alguém dizer "você é insubstituível"? Quando o contexto da frase refere-se ao ambiente profissional, geralmente ela é usada para dizer que uma determinada pessoa é extremamente importante para a empresa onde atua. Muitas vezes deseja-se dizer que a empresa não é nada sem aquela pessoa, que se um dia ela for buscar novos ares as coisas não seguirão bem por aqueles lados.
Muitos criticam pensamentos como esse, argumentando que poucas empresas fecharão suas portas pelo simples fato de que um profissional, por mais importante que seja, vá trabalhar em outro lugar. Estes diriam "ninguém é insubstituível". Eu, particularmente, sou partidário da primeira abordagem. Eu realmente acredito que todos são insubstituíveis. Mas cabe aqui uma explicação e principalmente uma reflexão.
Quando digo, por exemplo, que ninguém poderia me substituir em meu emprego atual, não estou me supervalorizando nem tão pouco me achando um profissional acima dos outros. O que quero dizer é que ninguém é igual a ninguém, de modo que nenhuma pessoa no mundo faria o meu trabalho da maneira como eu faço. Eu tenho meu jeito de falar com os subordinados e também com os superiores. Tenho minha forma de enxergar as coisas, de atacar um problema, de organizar uma reunião. Muitos poderiam fazer tudo isso melhor do que eu. E pior também. Mas igual, nunca! Nesse sentido, definitivamente é natural afirmar, com toda a convicção: eu sou insubstituível.
Entretanto, muitas vezes essa insubstitualidade (será que existe essa palavra?) é vista de forma enganosa, no sentido de que realmente uma empresa passaria maus bocados quando perdesse um funcionário. É claro que, sem dúvida alguma, existem profissionais que são de extrema importância para as empresas onde trabalham, seja pela capacidade técnica e humana ou mesmo pelo conhecimento que tem de como as coisas funcionam. Mas, salvo raras exceções, por mais que a empresa sinta a falta de alguém que por lá esteve durante muito tempo, dificilmente ela irá à falência por causa disso. Da mesma forma que pessoas se adaptam diante das adversidades, empresas também o fazem. E eu diria mais, mudanças muitas vezes são benéficas e essenciais, à despeito de uma dificuldade inicial. É através delas que novos talentos surgem, novas ideias se desenvolvem, os pensamentos e atitudes se renovam.
Todos devemos nos preparar para que, mesmo fazendo um excelente trabalho, algum dia possamos ser substituídos por alguém que mesmo não fazendo melhor, fará diferente. E, depois de algum tempo, poucos sentirão falta do nosso trabalho. Mas muitos continuarão, por muito tempo, sentindo a falta da maneira como fazíamos este trabalho.
Muitos criticam pensamentos como esse, argumentando que poucas empresas fecharão suas portas pelo simples fato de que um profissional, por mais importante que seja, vá trabalhar em outro lugar. Estes diriam "ninguém é insubstituível". Eu, particularmente, sou partidário da primeira abordagem. Eu realmente acredito que todos são insubstituíveis. Mas cabe aqui uma explicação e principalmente uma reflexão.
Quando digo, por exemplo, que ninguém poderia me substituir em meu emprego atual, não estou me supervalorizando nem tão pouco me achando um profissional acima dos outros. O que quero dizer é que ninguém é igual a ninguém, de modo que nenhuma pessoa no mundo faria o meu trabalho da maneira como eu faço. Eu tenho meu jeito de falar com os subordinados e também com os superiores. Tenho minha forma de enxergar as coisas, de atacar um problema, de organizar uma reunião. Muitos poderiam fazer tudo isso melhor do que eu. E pior também. Mas igual, nunca! Nesse sentido, definitivamente é natural afirmar, com toda a convicção: eu sou insubstituível.
Entretanto, muitas vezes essa insubstitualidade (será que existe essa palavra?) é vista de forma enganosa, no sentido de que realmente uma empresa passaria maus bocados quando perdesse um funcionário. É claro que, sem dúvida alguma, existem profissionais que são de extrema importância para as empresas onde trabalham, seja pela capacidade técnica e humana ou mesmo pelo conhecimento que tem de como as coisas funcionam. Mas, salvo raras exceções, por mais que a empresa sinta a falta de alguém que por lá esteve durante muito tempo, dificilmente ela irá à falência por causa disso. Da mesma forma que pessoas se adaptam diante das adversidades, empresas também o fazem. E eu diria mais, mudanças muitas vezes são benéficas e essenciais, à despeito de uma dificuldade inicial. É através delas que novos talentos surgem, novas ideias se desenvolvem, os pensamentos e atitudes se renovam.
Todos devemos nos preparar para que, mesmo fazendo um excelente trabalho, algum dia possamos ser substituídos por alguém que mesmo não fazendo melhor, fará diferente. E, depois de algum tempo, poucos sentirão falta do nosso trabalho. Mas muitos continuarão, por muito tempo, sentindo a falta da maneira como fazíamos este trabalho.
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